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domingo, 2 de novembro de 2014

ASSOMBRAÇÃO NÃO VAGA À TOA

(Conto de Terror em três atos)
PRIMEIRO ATO
 BLOG O PLEBEU
A missão que o Padre Jacinto recebeu foi convencer Tertúlio que assombração não existe. O causo, repleto de misticismo, está associado ao Padre só por uma questão de itinerário: apenas pelo muro do cemitério.
            - “Esse caminho foi profanado”. Era o que todos diziam.
            Tertúlio saíra do Forrobodó de Dondinha às duas horas da madrugada e já havia ultrapassado o muro do cemitério. Começava a respirar mais à vontade, pois à beira do muro sombrio, ninguém respira; para se fingir de morto. Só então acendeu seu cigarro. “A chama atrai as almas penadas” – era a crença.
            O céu estrelado, de lua cheia, foi se tornando coberto de nuvens negras. Não demorou nem um canto de galo e tanto Tertúlio quanto o seu cavalo assustaram-se com um raio, seguido do trovão que arrolou céu abaixo, trazendo grossos pingos de chuva fechada. Tertúlio deu umas tragadas fortes no cigarro e riscou a espora de leve no animal marchador para acelerar o passo. Logo avistou indo à sua frente, outro cavaleiro, que pelo tamanho e jeito de montar, era Custódio.
            Tertúlio, já todo ensopado, jogou o cigarro fora e esporeou mais uma vez o animal para alcançar o seu amigo que viajara para a Capital há mais de cinco meses. E é sempre bom ter companhia pelas estradas vazias, pois o silêncio zoa besteira no ouvido e o medo vai chegando por trás até alçar à garupa; sopra no cangote e qualquer corajoso começa a ver, numa sombra de bananeira, um monstro que tocaia na curva. Além disso, tomaria conhecimento das novidades da Capital.
             Custódio ficou feliz ao ver Tertúlio.
            – Tertúlio!!!... Quanto tempo!... Tá sumido...!
            – Eu é que digo isso, Custódio!... Foi você que debandou para a Capital...!
            – Foi mesmo. Mas estou de regresso. A coisa lá não foi boa. Nem devia ter ido...
            Custódio deslanchou a narrar as façanhas praticadas na Capital. Tertúlio não acreditou em nenhuma das lorotas avantajadas do papudo que ganhava todas as apostas, todas as brigas, todas as garotas... Porém, num repente, Custódio deixou Tertúlio com o cabelo arrepiado. Descreveu mais uma de suas peripécias ocorrida numa boate de beira de estrada, e proferiu:
            – Tertúlio, sou obrigado a confessar que nessa eu vacilei... me estrepei... não saí vivo.
            Tertúlio decifrou como uma avantajada força de expressão derrotista. Custódio prosseguiu enumerando os pormenores do acontecido:
            – A festa rolava solta na boate. Gente mal-encarada na portaria, mas eu tava lá com um amigo... o Gustavo... gente boa, decente. Amigão mesmo... Eu tava armado na cintura. O indivíduo com um pau de fogo pensa que está acima do diabo. Dentro da boate era um cheiro de maconha dos infernos. A gente fumava sem querer. As máquinas caçavam os níqueis dos otários que davam porradas nos equipamentos e saíam xingando. Uma música ruim!... As meninas de olhos vidrados... Tive vontade de sair, mas uma sirigaita me agarrou pelo braço e chamou pro canto. Meu amigo Gustavo sentou-se perto do balcão, sinalizou que me esperaria. E rala daqui e raspa dali... Tava bom no escurinho... quando alguém segurou no meu pescoço com violência e me empurrou pra cima de uma mesa onde havia uma pessoa sinistra, sentada de cabeça baixa, com o chapéu tapando o rosto. Ela ergueu os olhos. Mirei bem na criatura e tomei o maior susto. Tertúlio... era eu mesmo... na figura da morte. Virei, procurando quem havia me agredido, e um crioulo vinha com uma peixeira de todo tamanho...
            A essa altura, Tertúlio já esperava que Custódio diria que matou a própria morte e, ainda, de quebra, o desaforado que o empurrara; isso tudo num só golpe.
            Tertúlio sorriu e interferiu no monólogo de Custódio:
            – Custódio, você andou bebendo mais do que podia na viagem?
            – Não, Tertúlio, era a bendita morte mesmo. Eu não sabia que ela chegava disfarçada assim. Somos nós mesmos que nos levamos. Não tinha mais como eu retroagir, tampouco escapar vivo daquela boate. Você vai ter certeza disso amanhã... quando meu corpo chegar dentro de um caixão.
            Tertúlio estava vendo Custódio bem na sua frente. Gargalhou folgado e sofismou para si:
            – “Filho de uma boa mãe, só porque vagabundou um tempo na Capital quer derramar histórias... ou ingeriu droga pesada e sua cabeça voa acima dessas nuvens escuras.”
            As quais Tertúlio notou tornarem-se cada vez mais negras. Desconfiou que Custódio queria valer-se da chuva e dos relâmpagos para amedrontá-lo a tal ponto de convencê-lo que assombração existe e ainda anda a cavalo... E depois tiraria sarro de sua cara. Por isso, prosseguiu a rir frouxo, fazendo pouco-caso da história.
            Custódio não se incomodou com as gargalhadas de Tertúlio, só insistiu:
            – Estou aqui, a cavalo, porque foi a única maneira que encontrei para que você me ouvisse. Preciso lhe pedir uma coisa e informar outra. O que vou lhe pedir é simples: sempre que puder, vai rezar na minha sepultura. E a informação é que nós dois... somos irmãos... por parte de pai.
            Tertúlio riu debochado e Custódio se aborreceu. Irritado, alertou:
            – Pois saiba que quem se desapega da vida sem trancar a porta, o espírito volta em busca do corpo, e quando não encontra, encarna no primeiro que esbarrar.
            Tertúlio nem se importou com tamanha insensatez, só rebateu:
            – Custódio, eu estou vendo você com cara de sabichão, querendo passar trote em jagunço de roça... não se esqueça que você é um capiau de...
            Tertúlio, perplexo, gelou. Um relâmpago clareou nitidamente a face cadavérica de Custódio, que estourou no vento. Sumiu de suas vistas. Só o cavalo continuou em marcha, sozinho, no pelo. E cadê Custódio?... Tertúlio, atônito, olhou rapidamente para trás, para a direita, para a esquerda, novamente ao redor e pareceu-lhe ouvir um gemido. Outro relâmpago – outro susto –, a luz iluminou a estrada molhada e vazia. Tertúlio, afogueado, enfiou os calcanhares no seu cavalo e desembestou estrada afora.
            Será que desacatara uma assombração mascarada de Custódio? Ou ele realmente morreu e veio suplicar para alguém rezar em seu túmulo? Seria verdade ou apelação de alma penada essa história de parentesco?... E quem era filho de quem? O morto seria filho do pai dele ou ele seria filho do pai do morto?
            Dessa novidade, ele não poderia mais tirar a prova dos nove, pois Maricota, mãe de Custódio, falecera há mais de sete anos e ele também ficara órfão ainda criança. E mais a mais não poria empecilhos duvidosos na cabeça de seu velho e querido... pai; mesmo porque sempre o amara como tal, não seria uma assombração repentina que iria mudar esse sentimento.
            Chegou em casa abobalhado. Não produzia uma frase inteira. Parava estático. Revivia partes das cenas. Todos pensaram que ele estivesse bêbado ao extremo, mas como não apresentava os sintomas da embriaguez, aos poucos se convenceram que o melhor era que ele ingerisse alguns goles de água adoçada. Depois de muito respirar, ainda atordoado com os relâmpagos, Tertúlio conseguiu relatar a sua epopeia. Só omitiu a suposta consanguinidade com a aparição estrovenga... isso a todo momento vinha-lhe na boca, mas ele facilmente a engolia.
            Foi justamente assim que Padre Jacinto o encontrou. Como convencer o pobre fantasmagórico de que assombração não existe? Ou não existia... até ontem... Porque, solenemente, às 10 horas do dia seguinte o corpo de Custódio chegou; trazido por um amigo, de nome: Gustavo – que descreveu história idêntica à de Tertúlio.
            Até Padre Jacinto começava a hesitar sobre a falsidade do fato pressagiado. Porém, para encobrir a incerteza, ele precisava ir à casa de Tertúlio, que caducava de revolta e repúdio, porque ninguém acreditava nele. Padre Jacinto, sufragado em sua fé intangível, apoiado no vento, insistia em assegurar para o pobre indomável:
            – Tertúlio, alma penada não existe... tudo foi fruto de coincidências... e da sua imaginação.
            Mesmo assim, Tertúlio, feito um zumbi, vai rezar todos os dias no sepulcro de Custódio. Busca encontrar ali um refúgio, um acalanto, pois só os dois sabem o vínculo milagroso. E quando o fato é mesmo um milagre, sua revelação se reverte em caduquice.

SEGUNDO ATO
BLOG O PLEBEU 
             Seu Osvaldão, pai de Custódio, por intuição de que auxiliaria o filho a ingressar no Reino de Deus, mandou construir uma lápide portentosa. E abriu um desvio de mais de dois quilômetros na estrada. Assim, nunca mais passaria rente ao muro do cemitério. Confessava, abertamente, que só entraria ali, carregado num caixão. Assim que o tal desvio foi inaugurado, o homem faleceu. Faleceu não é bem o termo... foi encontrado sem vida, justo no meio do bendito desvio. Apregoam as más-línguas que foi morte de susto. A alma de Custódio teria aparecido pela última vez; talvez para completar o recado e propagar ao pai (ou não) desnaturado que, ao invés de ir visitá-lo, mandara fazer um desvio de sua morada. Aliás, depois disso ninguém mais quis se aventurar pelo desvio; mesmo tremendo de medo, vinham pela estrada do cemitério e até mula sem cabeça avistaram “pastejando” – afirmavam os menos corajosos.
            Quem se ria de quase estourar a bexiga era Seu Jonas – o coveiro. Um senhor alto, magro, olhos encovados e chapéu chapado na cabeça. Homem de uma coragem sobrenatural. Como o invejavam os medrosos!...
            – Quem mora aqui é mais inofensivo que uma minhoca. Nunca ouvi nada. Agora, se um dia alguma alma ousar se manifestar na minha frente... eu serei eternamente grato a ela, pois terei encontrado a resposta que procuro desde que me entendo por gente. Vou ter certeza que a morte é o início do além-túmulo. Se puder eu até puxo um lero-lero e aperto a mão dela.
Mas como toda história do outro mundo não acaba da noite para o dia...
            Tertúlio engrenou a sonhar com Custódio. O irmão falecido o conduzia à Capital, apresentava um amigo: Nicásio Batista. Mostrava o lugar onde fora assassinado e até a face de seu executor: Bento dos Aires. Numa noite o falecido despontou no quarto. Acomodou-se aos pés do leito e evocou Tertúlio.
            – Tertúlio, vim lhe demandar um favor. O último e único, depois eu parto de uma vez. Um vivo não pode negar o pedido de um irmão morto.
            Tertúlio dormia tranquilamente enrolado em seu cobertor. Acordou sem susto, nem se recordou do sonho pela manhã.
            Na noite seguinte tudo se repetiu. Só que desta vez o falecido cutucou Tertúlio para que ele acordasse e prestasse atenção no recado. Tertúlio, apavorado, sentou-se na cama. Seu irmão consanguíneo, esbranquiçado, estava aos seus pés e reprisou tudo em detalhes.
            Tertúlio sobrepôs mais um susto sobre aquele que já havia tomado. Agora o falecido estava querendo demais... Matar uma pessoa...?! Até tentou replicar, mas a voz medrosa lhe fugiu da garganta. Custódio prosseguiu em seu rogatório:
            – Procure o meu amigo Nicásio Batista. Assim que você puser os pés na Capital, eu estarei ao seu lado, orientando o que deve ser feito.
Custódio desapareceu, deixando Tertúlio de olhos arregalados, fitando as paredes. Como ele já havia sonhado muitas vezes... achou que não acordara, e sim, que ainda dormia. Para segurar a realidade acesa, decidiu: não iria mais se deitar. Se não acordasse pela manhã, teria certeza que não fora sonho e sim, que seu irmão falecido, em espírito, sentara, de fato, em sua cama.
            O galo cantou muitas vezes antes do dia amanhecer. Tertúlio ergueu-se olhando para a cama, precisava certificar-se de que não havia ninguém deitado nela. Lavou o rosto investigando-se ao espelho, fez diversas caretas e deu-se uns tapas fortes. Convenceu-se de que era mesmo a sua imagem que ali refletia. Saiu do quarto.
            Dona Norberta, a governanta da casa, já o aguardava com o sorriso e o cumprimento de todas as manhãs.
            – Bom-dia, Seu Tertúlio. Está um lindo dia, não?
            Tertúlio ajeitou-se à mesa com a esperança emborcada. Queria acordar bem preguiçoso na cama. Mas Dona Norberta preparou a xícara sobre o pires, colocou café, preencheu de leite, puxou a cesta de torradas para perto dele e sondou como sempre:
            – Mais alguma coisa, Seu Tertúlio?
            Só agora Tertúlio resolveu abrir a boca. Ouviria a própria voz e teria certeza definitiva de que acordou de madrugada e se mantivera de olhos aberto, contando o galo pedrês cantar centenas de vezes. Porém, antes de pronunciar algo descabido, achou por bem comer uma torrada. O mastigar, geralmente, acorda quem está dormindo, engolir então, é quase impossível prosseguir no sonho. Assim o fez. Pegou uma torrada e a levou totalmente seca à boca, mastigando com avidez. Engoliu, se engasgando com a secura da goela. Dona Norberta, temerosa que a mente do bestunto piorara em novo surto, vigiava os movimentos desconexos de Tertúlio. Sugeriu delicadamente:
            – Beba um gole de leite, Seu Tertúlio... vai ajudar a diluir a torrada.
            Tertúlio contemplou Dona Norberta e indagou:
            – A senhora está acordada, Dona Norberta?
            Dona Norberta só não riu porque a arguição não vinha com intenção de pilhéria. Respondeu séria, fazendo de conta ser uma argumentação absolutamente normal.
            – Acordei cedinho, Seu Tertúlio. Por quê? Deseja alguma informação?
            – Sim, vá ao meu quarto e veja se eu estou dormindo.
            Dona Norberta demorou-se parada, digerindo o que diria quando retornasse, e ouviu mais:
            – Vá, Dona Norberta, estou exigindo.
            Dona Norberta, meio desajeitada, desequilibrada e de soslaio, afastou-se inconformada, mas foi sutilmente astuta.
            – Pois não, Seu Tertúlio. Volto num instante.
            O caso era mesmo para Tertúlio se aprofundar nas pesquisas. Taxado de doido ele já era; ser taxado de mais doido, não iria fazer diferença nem modificar a sua deplorável situação. Então arriscou e entornou toda a caduquice disponível.
            E não é que, a caminho do quarto, Dona Norberta encontra o pai de Tertúlio!
            – O Tertúlio já levantou? – interroga autoritário, pois Dona Norberta, obrigatoriamente, deveria saber onde seu filho se encontrava.
            – Está tomando o seu café, Patrão, quero dizer, o dele.
            – E por que a senhora não está lá, ao lado da mesa, servindo-o?
            E agora? Dona Norberta, submissa, desova a franqueza ou mente para aliviar o sofrimento do Patrão? Mas mentir ela só iria se complicar e resolveu chutar a bola, serenamente:
            – Patrão – engoliu –, ele me solicitou para ver... se ele mesmo... ainda está dormindo.
            – O quê?!... E você obedeceu?!... Quem está birutando? Você ou ele?
            Dona Norberta respondeu: "ele" – somente para ela, lógico – para o Patrão explicou bem melhor:
            – Foi o que ele me pediu... ou melhor... exigiu que eu fizesse.
            – Eu vou falar com aquele imbec...
            – Não, Patrão... por piedade. Acho que não devemos piorar as coisas. O incidente ainda... o senhor sabe o que eu estou... insinuando. Isso demora... a neurose não é passageira de curta viagem.
            – Você está certa, Norberta. Mas descubra do que ele desconfia.
            – Pois não, Patrão – e retirou-se.
            Dona Norberta regressou com a cínica informação, mas com a feição séria.
            – O senhor não está dormindo, Seu Tertúlio.
            Tertúlio já esperava por essa resposta, pois após Dona Norberta virar as costas ele fez muitas extravagâncias. Além de se queimar, enfiando o dedo no café quente, mordeu a língua até sentir o gosto de sangue na boca.
            Dona Norberta, obedecendo ao Patrão, investigou de manso:
            – Seu Tertúlio, o senhor queria descobrir o que com essa encenação toda?
            Tertúlio não podia mencionar seus sonhos, muito menos revelar a missão secreta. Citava para si dois motivos: o primeiro, que eles não acreditariam, e o segundo que o impediriam de viajar para a Capital. Precisava enfeitar uma manobra para Dona Norberta e tranquilizá-la, antes que mexericasse com o seu pai.
            – Queria testar seu grau de obediência, Dona Norberta. Parabéns, a senhora é realmente uma excelente serviçal... Obrigado por tudo. Só lhe peço uma coisa: não conte para o meu pai essa brincadeira que fiz.
            – Sem dúvida... fica entre nós.
            Tertúlio levantou-se e foi para o quarto. Dona Norberta quase acreditou e repassou simplesmente o fato para o Patrão.

TERCEIRO ATO
BLOG O PLEBEU 
              Tertúlio só precisaria de uma desculpa: “iria prosear com Padre Jacinto”.
            Disfarçadamente, aprontou as tralhas no lombo do cavalo. Não levou nada. Seria uma viagem rápida, “um tiro lá e um pé cá” – supôs. Na volta se embrenharia na mata até ser encontrado por alguém. Diria que esqueceu o caminho. Era doido mesmo!...
            Passou no cemitério. Avisou ao irmão que estava pronto para a missão. Desviou da Igreja, pois Padre Jacinto sempre andava pelo pasto.
            Em Jaguará-Mirim quase foi visto por Vespasiano um amigo seu, que passeava na Praça de mãos dadas com seu filho. Tertúlio, após aquele causo assombroso, tornou-se figura popular na região, temia ser reconhecido; abaixou o chapéu até cobrir todo o rosto e fingiu dormir sobre a montaria. Descambou por uma picada estreita que o levaria direto para São Pedro do Livramento. Assim que chegou, soltou o cavalo num pasto isolado, guardou os arreios debaixo dum pé de guaxima e voltou a pé para a estação do trem. Comprou a passagem e esperou respirando a fedentina do banheiro. Só saiu de lá, meio amarelado, quando ouviu o apito da partida. Desinquieto, adentrou ao vagão sem olhar para os lados. Entuchou-se num assento do canto e só ergueu o braço para entregar o bilhete.
            Tertúlio não queria que o vissem indo para a Capital. Nem ninguém da Capital, além de Nicásio Batista, soubesse que por lá ele estivera. Achou ser esse o plano caduco do irmão. Ninguém pode ser acusado de ter matado alguém se não esteve presente no local do crime.
            O reboliço da Capital era novidade para Tertúlio e enchia seu semblante de deslumbramento. Quando saltou do trem, não sentiu a presença do irmão como lhe prometera que faria. Receoso que o falecido se atrasara para o encontro e julgando-se traído, caminhou pela plataforma.
            – "Cadê esse fantasma tratante?"
            Foi neste lapso de tempo que Tertúlio avistou Nicásio Batista... a pessoa que seu irmão lhe mandara procurar. Acelerou o passo para alcançar o amigo de seu irmão e chamou alto:
            – Nicásio Batista...!
            Nicásio Batista, amedrontado, olhou para trás. Não fazia ideia quem era a figura que vinha se achegando sorridente. Fez menção de correr. Tertúlio o agarrou forte pelo braço e debulhou:
            – Eu sou Tertúlio, irmão... – empolgado, quase que cospe o segredo do parentesco; retificou a tempo. – Quero dizer, eu era colega do Custódio.
            Ao ouvir “Custódio” Nicásio Batista sossegou numa pergunta.
            – Então... é você o executor?!
            Tertúlio não abriu o jogo, pois caso algo saísse errado ele abortaria a missão. Ordenou apenas:
            – Eu quero saber o que ele comunicou a você.
            Nicásio Batista, ainda incrédulo, encostou-se na parede rente à calçada. Extraiu um chumaço de algodão dos ouvidos e balbuciou:
            – Eu não acreditei quando o espírito dele me cercou e implorou socorro. Tentei tapar os ouvidos, mas o recado vinha de dentro para fora. Tá certo que eu devia favores a ele... que jamais poderei pagar, mas o Bento dos Aires é um contraventor barra-pesada. É filho sem mãe. Tem capanga e espiões espalhados por toda a cidade. Ele não puxa gatilho, só manda matar. Basta piscar opaco... e tá ferrado, despacha, some com o corpo... queima, joga na maré, enterra. Até a polícia tem medo dele...!
            Agora Tertúlio sabia quem iria enfrentar e podia confiar em Nicásio Batista. O homem desembuchou mais do que ele esperava.
            – Custódio me assegurou que estaria comigo. Então ele deve estar por aqui. Agora que encontrei você...
            – Você não me encontrou. Ele me trouxe – salientou Nicásio Batista. – Só posso fazer o que ele manda. Venha comigo.
            Nicásio Batista levou Tertúlio até a sua casa: um casebre precariamente instalado sobre o mangue. Para chegar foi preciso transpor várias pinguelas de taipa, sobre fracos tocos, que ziguezagueiam pelos inúmeros barracos. Uma mulher, numa roupa encardida e rasgada, cercada por cinco crianças subnutridas, esperava à porta. Nicásio Batista não deu conversa à gurizada que lhe reivindicava coisas. Falou apenas para Tertúlio entrar e aguardar. Pelo tamanho diminuto, o barraco só tinha dois cômodos: aquele em que estavam e outro minúsculo, que servia de banheiro e cujo vaso era um buraco no assoalho de madeira. A maré baixa deixava à mostra as fezes, que aguardavam a água subir para carregá-las.
            Tertúlio manteve-se discreto e calado para que ninguém questionasse o que viera fazer ali. Nicásio Batista pegou uma arma sob o colchão superior de um beliche velho e esticou para ele.
            – Custódio me disse para lhe entregar isso. Só, mais nada.
            Tertúlio hesitou e, agastado, segurou a arma. Foi cutucado e empurrado por ninguém, para fora do barraco. Nicásio Batista alertou arredio:
            – Ele me tratou assim também. Quando queria uma coisa e eu negava, ele me socava. Acho melhor você obedecer...!
            Tertúlio enfiou a arma na cintura e saiu da favela a passos rápidos. Andou como cego com guia. Foi sentado, à força, num banco de jardim em uma praça quase deserta. Permaneceu ali aguardando os cutucões que não vinham. O dia escurecia e Tertúlio começou a se preocupar:
            – “O pessoal de Jeriandando já está à minha procura.”
            Xingava seu irmão quando obteve o comando. Levantou-se com uma pressão no ombro como se fosse a mão de Custódio. Conduzido para um beco, entrou sem medo. Encarou uma ladeira íngreme, empilhada de barracos. Já escuro, chegaram ao topo do morro.
            Tertúlio, resfolegando, voltou-se por vontade própria e admirou a paisagem lá do alto. Notou que na ladeira havia dezenas de marginais armados. Com certeza capangas de Bento dos Aires. Temeu. Como escapar com vida dessa corriola? Havia uma troca de mercadorias entre os transeuntes. Através do cumprimento, algo sólido era repassado, pois todos colocavam a mão no bolso e vistoriavam ao redor antes de seguir caminho.
            Tertúlio recebeu um cutucão mais forte. Desfilou possuído em direção a uma casa de porta verde e paredes sem reboco. Teve seu braço erguido. Bateu na porta. Dois rapazes se chegaram pelas laterais da casa. Tertúlio os afrontou com os olhos em fogo. Eles recuaram medrosos. A porta se abriu automaticamente. Tertúlio foi entrando. A sala estava vazia. Por detrás de uma cortina de barbante, com alguns penduricalhos coloridos costurados, alguém, parado, o observava. Depois, lentamente, mergulhou uma das mãos repleta de pulseiras, fitas e medalhas argoladas ao punho. Em seguida expôs a cabeça, trazendo nela um turbante branco enrodilhado. Vestia uma túnica azul tão comprida que varria o chão. Os olhos de adivinho, contornados fortemente por um lápis negro, sobressaíam no rosto magro. Abriu um sorriso de dentes enegrecidos pela nicotina impregnada. Tertúlio quase caiu de costas quando a figura que se estampava em sua frente olhou para o lado e dialogou como se estivesse vendo, com toda clareza do mundo, o seu amigo Custódio:
            – Custódio, é esse o seu irmão de sangue que veio matar Bento dos Aires?
            A criatura postou-se a ouvir, no vazio, alguma coisa do além e, por fim, garantiu:
            – Sim, três espíritos em transe substituem um vivente... Desde que dois deles tenham o mesmo plasma, senão... – parece que foi interrompido. Balançou a cabeça. Duvidou. Concordou e retaliou:
            – Sendo o parentesco capenga, só posso ajudar uma vez, duas é impossível... – fez alguns movimentos de reverência e desafogou. – Bento dos Aires indo para a sua companhia... será um alívio para mim.
            O bruxo aguardou algum comentário, e depois analisou Tertúlio com ar superior:
            – Querido, não quero nem saber o seu nome. Você acende esse charuto. Fuma, mas não puxa a fumaça para os pulmões; não puxa... solte toda no caminho até dentro do cabaré. Só assim você ficará invisível para todo o mal.
            Tertúlio não estava ali para discordar. E, guiado, avançou tal qual chaminé ambulante. O cabaré era uma casa grande, de dois andares, postada numa esquina. Tertúlio chegou ouvindo um bebum que, estirado no chão, chorava suas mágoas. Entrou como turista que perdeu o caminho e foi parar naquela favela; se comandado, agiria, caso contrário manter-se-ia imóvel como poste sem lâmpada. Tertúlio foi empurrado até ao balcão e sentado com força num tamborete. Ao ver o garçom aproximar-se pensou em beber, mas, com voz de quem sabe o que quer, verbalizou o que não queria dizer:
            – Depois eu peço, estou aguardando um camarada.
            O garçom retirou-se e ele sondou o ambiente sem saber se era por conta própria ou vontade de Custódio. Logo identificou que foi pela segunda opção. Soltou uma baforada, deixou o charuto no cinzeiro, se levantou sem querer e dirigiu-se para um corredor. Parou defronte a uma porta de grossos entalhes. Bateu um toque de compasso esquisito. A portinhola se abriu na altura de seus olhos. Tertúlio, incorporado, sentiu seus lábios sorrirem e expressarem formalmente:
            – Quem muito dorme, pouco vive.
            Tertúlio aguardou a porta se abrir e lhe dar passagem. Entrou em dois passos. O segurança revistou-o. Lembrou-se da arma na cintura. O segurança abriu um sorriso largo ao encontrá-la.
            – Precisa deixar isso comigo – avisou, simpaticamente.
            A boca de Tertúlio abriu-se novamente sozinha:
            – Está descarregada... pode verificar.
            O segurança, ante a declaração, sorriu folgado:
            – O que faz com uma arma descarregada na cintura?
            – Não tenho coragem de atirar em ninguém, mas não morro pelas mãos de um Zé Cagão.
            Tertúlio estranhou o papo besta dos dois e seus olhos buscaram o fundo do recinto.
            Lá, bem longe, atrás de uma mesa grande, com uma cigarrilha no canto da boca, divisou aquele que, em diversas noites, encarara nos pesadelos: Bento dos Aires. Sua fisionomia marcante não passaria despercebida nem numa multidão. Bento dos Aires, bonachão, articulou para seu capataz:
            – Esse deixa ingressar. Ele veio me pagar. – Gritou. – Surdo azarado...! - E gargalhou.
            Tertúlio ignorava com quem Bento dos Aires contracenava. Ao pesquisar a sala, encontrou sua imagem refletida num espelho que ocupava quase toda a parede à sua esquerda, e se assustou com o que viu. Não era ele. O semblante de um senhor calvo, de meia-idade, ocupava o seu lugar. Sorridente e amável sentenciou por sua boca ventríloqua:
            – Ôh, meu estimado sócio Bento!... Levante-se... Quero lhe dar o abraço que prometi. Hoje acertaremos todas as nossas diferenças... nada restará pendente.
            Tertúlio viu Bento dos Aires erguer-se. Só não sabia que o homem tinha uma barriga tão grande. Andar, para ele, requeria um enorme sacrifício. Tertúlio pressentiu um calafrio vibratório. Notou que a feição de Bento dos Aires alterou de repente e deduziu que a dele também. Consultou o espelho e agora ele era quem imaginou que representaria no feitiço contra o gorducho: o próprio Custódio – que teria o prazer de matar o seu assassino. Sacou a arma, enunciando:
            – Eu perdi a vida e você ganhou a morte – e descarregou o revólver contra Bento dos Aires, que sucumbiu, sacolejando todas as suas banhas na queda.
            Tertúlio sabia que atrás de si havia o segurança, o qual, logicamente, estaria armado e a essa altura já apontava um ou dois revólveres para ele. Sem acrescentar que precisava descer o morro e ludibriar toda aquela guarnição que o vira subir. Virou-se temendo já sentir alguns projéteis atingindo-o na nuca. Prendeu a respiração. Não sabia qual rosto o segurança havia visto, pois desconhecia quem batera na porta.
            Tertúlio sente que todos os seus órgãos são trespassados por balas. Joga-se no chão pensando que não viera à Capital para morrer. Debateu-se. Arrastou-se. Esticou-se e seus ombros foram tocados... Alguém, insistente, o chamava:
            – Tertúlio!... Tertúlio!... Tertúlio!...
            Tertúlio, estupefato, arregalou os olhos para o alto. Dona Norberta e seu pai, mais aterrorizados do que ele, o seguravam pelos ombros.
            – Acorde de vez, Seu Tertúlio! – suplica Dona Norberta.
            – Eu... já não... acordei... hoje?! – Tertúlio mirou seu corpo. Atentou o sol.
            – Não, Seu Tertúlio, o dia está apenas clareando...

            Tertúlio sabia que não tivera um simples pesadelo, mas sim uma mistificação de cunho sobre-humano. Para confirmar o descomunal crime de bruxaria, aguardou ansioso, que as notícias viessem da Capital, pois causaria impacto fatídico se ele borrifasse a ocorrência de véspera novamente.
            E os jornais testificaram: Bento dos Aires havia sido morto pelo seu segurança, embora este acusasse um sócio do morto. Alegando que a sua arma mascara seis vezes quando estivera face a face com o facínora que desapareceu. O pobre do segurança foi linchado até a morte pelos moradores da favela, pois o sócio do morto, que ele acusava, havia falecido duas horas antes, de infarto, em um hospital longe dali.
            Tertúlio se surpreendeu quando seu pai, desfolhando o jornal, desabafou:
            – Agora meu filho está vingado.
            – Seu filho?! – alegrou-se Tertúlio, que pensava ter outro pai.
            – Tertúlio, Custódio... era seu irmão.
            Tertúlio não conteve a felicidade e desafogou:
            – Eu já sabia, pai.
            – Como?!... Isso é segredo de setecentas chaves!
            – Ele me contou...!
            - Quando, filho...?
            - Naquela noite do temporal.
            O pai de Tertúlio coçou o couro cabeludo e confessou:
            – O diabo é que agora eu acredito em você, filho.
            Tertúlio passou a ser visto como uma criatura quase normal. Dispensou as visitas de Padre Jacinto. Porém, não deixa de entrar no cemitério e orar na cova do irmão, todas as vezes que por lá passa.
                                                                        FIM.


Adaptação de um episódio do livro: O Padre é a Viúva

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sexta-feira, 31 de outubro de 2014

BITAITE

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Assim como os antigos achavam que a terra era plana e que o sol girava ao seu redor, não me surpreenderei se o universo for finito.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

CANDIDATARAM-SE PARA ISSO

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No Congresso Nacional não pode haver opositores nem aliados, muito menos negociatas, e sim, todos empenhados num único sentido: trabalhar a favor do Brasil.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

AJUSTANDO O PRISMA:

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Não foi o “esquecimento” dos mais humildes que provocou a reeleição, mas sim, a “lembrança” de um passado desastroso... vivido pelos esclarecidos.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

DITADOR DISFARÇADO

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Para algumas pessoas a democracia é linda, é bem-vinda, é admirada, é respeitada, é a melhor forma de governo... desde que o resultado lhe seja sempre favorável.

A M É M...

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Dinheiro público deve ser tratado como Hóstia Consagrada.

sábado, 25 de outubro de 2014

TROVA DAS RIQUEZAS

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Muitos propagam que Tempo é dinheiro;
Que a Palavra é prata e o Silêncio é ouro.
Se ninguém pôs preço na Paz e no Amor,
É porque valor algum supera esse tesouro.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

REPETIÇÕES.. ÇÕES.. ÇÕES...

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Os fatos mostram para a Sociedade aquilo que ela teima em não adotar, que se não eliminar “logo” os infratores, os bons serão eliminados.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

RAPOSA LEGISLANDO:

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Quem faz as leis não pode temê-las, caso contrário, a pena será sempre suave, e, em alguns casos, assemelhar-se a um prêmio.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

SARDINHA NA BRASA

BLOG O PLEBEU
O politiqueiro, na maior cara de pau, vende seu peixe temperado do engodo que melhor lhe prouver no momento.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

HÁ BEM POUCO TEMPO...

BLOG O PLEBEU
O fato é que, de fato, Adão, por estar triste e deprimido, cedeu uma costela.
E dela, Deus, na sua infinita bondade, fez maminhas, filés-mignons, muita carne de segunda, de primeira, incontáveis bofes, diversos buchos, carnes de pescoço de perder a conta...
Porém, com o passar do tempo, algumas de suas “criações” foram se transformando em outras espécies. Revelaram-se: antas, vacas, jararacas, surucucus, raríssimas pombas; várias baleias, poucas sereias... muitas piranhas. Até na culinária despontaram atuantes: docinhos de coco, biscoitinhos, gelatinas, pudinzinhos. E o mundo vegetal não ficou de fora, apareceram como: chuchuzinhos, uvinhas, (trepadeiras aos montes)... recentemente virou moda ser “fruta”. Nasceram: melancias, morangos, peras, abacaxis de montão. Apesar de toda essa salada, sem exceção, no final se transformam em maracujás murchos...
Mas o fato é que, de fato, os homens, até anteontem, continuavam perfeitos. Ainda representavam a “obra-prima” de Deus. Mas quem resiste às intempéries dos “tempos modernos”, às tecnologias, às heresias, às drogarias e, principalmente, às manias...? Começaram a sofrer as transformações que lhes cabiam e, ontem, completaram um ciclo. Novas espécies surgiram: gaviões, leões, pavões, ratos, macacos, garanhões, gatos, cachorros, jumentos, tubarões, galinhas, sem mencionar que nasceram também muitos “bananas”, pés de alface... sem falar nos famosos: pamonhas.
E hoje, sozinho, triste e deprimido... vi Adão, talvez arrependido.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

EXPLICAÇÃO EXAGERADA

BLOG O PLEBEU
Diz o político garboso:
- Eu sou ex-governador, ex-deputado, ex-presidente... agora que entrei para a Academia de Letras, quando morrer, serei: ex-imortal.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

FALSIDADE VAMPÍRICA

BLOG O PLEBEU
Geralmente, a crítica, quando demagógica, começa com um velado elogio.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

TROVA DEMO PRÁTICA

BLOG O PLEBEU
Na democracia funciona assim, não há o que discutir:
Cada eleitor é livre para votar no candidato que gosta.
Ninguém tem o direito criticar, muito menos interferir,
Mesmo que o candidato dele seja uma grande aposta.

domingo, 12 de outubro de 2014

CÂMERA NA MENTE

BLOG O PLEBEU
Não basta ser honesto com os outros, é preciso também ser honesto consigo mesmo.

sábado, 11 de outubro de 2014

PESQUISA ECOLÓGICA

BLOG O PLEBEU
Uma pesquisa sobre “Consciência Ambiental” protagonizou um fracasso total em certa Região. As pessoas, quando perguntadas “se trocariam o carro pela bicicleta”, respondiam, desconfiadas e com muita convicção que: NÃO.
Os analistas, após “pesquisarem a pesquisa”, concluíram que houve um tremendo erro de interpretação na pergunta.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

VIAGEM

Blog O Plebeu
Só há uma maneira do ser humano voltar no tempo: colocar sobre uma mesa, em ordem decrescente, as fotos de sua vida.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

DEPOIMENTO ESCRITO:

BLOG  O  PLEBEU
As Loiras são mas intelijentes que pareçe, pois sabe que tudo que disem sobre elas são só piada para faser as criansas rir. Porisso sou uma lora sem preconsseito.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

SEM COMPARAÇÃO

BLOG O PLEBEU
A necessidade, sim, gera um ladrão; já, a falta de caráter, revela o oportunista. 

domingo, 5 de outubro de 2014

PRESAS VENENOSAS

BLOG O PLEBEU
Dizem que a inspiração
é uma astuta serpente
que persiste à espreita
só para picar a gente.

Arma o bote, se ajeita,
fala muito mal da morte,
não aposta no futuro,
pois só pragueja a sorte.

Tal qual viajante estranho,
soturno, falso e errante,
faz venenosas estripulias
e num único rompante,
escreve sua tosca poesia,
blasfema como vil caipora,
e sem dizer adeus, tacanho,
escapa, sombrio, porta afora.

sábado, 4 de outubro de 2014

SEGREDO DE MUITOS

BLOG O PLEBEU
O voto é secreto. Ninguém vai saber nunca em quem você votou; nem mesmo você.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

NEM COM BEIJO

BLOG O PLEBEU
Tem gente que fica esperando desencantar, quem nunca esteve encantado...!

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

SEM CLT

BLOG O PLEBEU
A vida nada mais é do que um trabalho na empresa de Deus... Uns sabem que estão batendo o último cartão de ponto, outros, são demitidos sem aviso-prévio.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

DESTOANTE

BLOG O PLEBEU
Alguns seres humanos reclamam do horário político na televisão, mas quando entram no Facebook, dão continuidade ao programa e se transformam até em inconsequentes cabos eleitorais...!

terça-feira, 30 de setembro de 2014

domingo, 28 de setembro de 2014

MALANDRAGEM

BLOG O PLEBEU
Existem dois tipos de profetas sem futuro: um que quer revelar o início do oitavo dia e outro, que quer adivinhar o fim do sétimo.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

SUPERLOTAÇÃO



BLOG O PLEBEU
Devemos comparar o nosso Planeta com um hotel que não pode receber mais hóspedes do que suporta sua infraestrutura. 


Foto da Terra: http://www.fotosefotos.com

terça-feira, 23 de setembro de 2014

MAL NA FITA

BLOG O PLEBEU
A televisão não acabou com o cinema, mas o smartphone, talvez, acabe com os dois.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

DIA MUNDIAL SEM CARRO

BLOG O PLEBEU
Uma iniciativa louvável, mas parece que o seu “inventor” esqueceu de comunicar às empresas de transporte coletivo, pois o que se viu nos Terminais e Pontos de Ônibus foram longas filas e muita gente esperando, isto é, a “normalidade” de sempre.
Mesmo porque na hora de pico as empresas colocam para rodar praticamente toda a sua frota, portanto, não tem como aumentar a quantidade de ônibus em um dia e no dia seguinte os mesmos ficarem ociosos nas garagens.
E nesse cenário, se muitos aderissem ao chamado da consciência ambiental, esse dia resultaria num desastre muito maior, pois teríamos ônibus hiperlotados e aqueles que deixaram os carros em casa superdesestimulados.
Portanto, é uma operação que tem de ser organizada em conjunto com as empresas, isso requer, a priori, uma pesquisa responsável para saber o número aproximado de novos passageiros e a quantidade de ônibus a ser acrescida. Além de uma via expressa para “apenas os ônibus” circularem, seria necessário também marcar uma data, com boa antecedência, para ter início essa operação de mobilidade urbana.
E se após essas medidas, as ruas continuassem cheias de carros e os ônibus circulando vazios, aí sim, a culpa recairia sobre os egoístas do volante.

domingo, 21 de setembro de 2014

ENSINAMENTO

BLOG O PLEBEU
Numa era muito muito distante, mãe e filho conversavam:
- Mãe, por que uma pessoa beija o rosto da outra?
- Para mostrar que gosta dessa pessoa, filho...!
- Mas elas se beijam e brigam também, mãe...!
- Essas são pessoas falsas, meu filho.
- Ah, mãe, então beijo não vale nada...
- Não, todo beijo tem seu valor, Judas. 

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

ELEIÇÕES SEM BOCA ALHEIA...

BLOG O PLEBEU
Seja coerente, se você quer ser livre para votar, então respeite a liberdade alheia.
Não faça propaganda política enganosa. Seja um eleitor consciente, que aceita a opinião diversa, que reconhece que o voto é individual, intransferível e secreto.
Alguns tentam conseguir votos com montagens ridículas, como se fosse correto enganar alguém. Raciocine: se o seu candidato aprova isso, imagina o que ele não aprovará se for eleito? 
Outros fazem questão de manifestar sua posição sem admitir que ninguém dela discorde.
Independente de quem você “acha” que seja o melhor, vote e deixe que os outros votem livremente.
Perguntar em quem vai votar é muita falta de senso, e tentar induzir em quem votar é declarar, abertamente, que você julga seus amigos, parentes e todos que o cercam, de incapazes. Pondere que, assim como você, eles têm intelecto para escolherem por si...! 
Lembre-se: nós vivemos numa democracia, portanto, não aja como um ditador.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

ATRASO

BLOG O PLEBEU
Continuamos adotando medidas de “prevenção” somente após os acidentes... lamentável.


sexta-feira, 12 de setembro de 2014

O INCRÉDULO E A CRIANÇA:

BLOG O PLEBEU
Um incrédulo explicava para uma criança:
- Tudo isso que você vê, foi feito pelo nada. Céu, terra, água, ar, animais, vegetais, eu, você, aquele cara... Toda essa diversificada e imensa cadeia alimentar... - a criança prestava atenção. - Note, tem muitos animais totalmente diferentes, uns são velozes, outros têm uma força descomunal, muitos voam, alguns rastejam, mas todos nascem, crescem, vivem e morrem numa coerência semelhante incrível. Nos vegetais também encontramos uma infinidade de espécies, cuja reprodução é espantosa... E esses astros no céu, se movimentam numa órbita perfeita... E depois de Plutão, garantem os cientistas, que tem muito, muito mais ainda... que é... infinito... e eu acredito nisso. Sem falar que podem existir até outros seres inteligentes...!... Portanto, o Universo e tudo que nele contém... foi obra do nada.
A criança olha para o incrédulo e diz admirada:
- Caramba...! Esse nada é poderoso...! – pensa um pouco e pergunta:
- Nada é superior a Deus...?       
  
 Apenas para justificar a frase:
Eu só não sou ateu, porque não consigo acreditar em nada.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

O ATALHO DO TEMPO

Encontrei-me, por acaso, com um amigo de infância.
Sentamos, animados, no banco da praça.
Eu pretendia recordar as peraltices da adolescência e
relembrar os colegas em comum, mas ele atolou-se no
marasmo de seus dias sofridos.
- Meu tempo – iniciou ele - desperdicei vasculhando os anais
 dos processos julgados pelos nossos ancestrais. Rebusquei, em pinturas
 antigas, novos sinais dos anjos. Procurei, precipitadamente,
desvendar nos alfarrábios de Deus, a Semente da Vida,
o entendimento pleno do Gênesis. Afoguei-me no silêncio dos mosteiros.
Vaguei à noite, almejando esbarrar com o sobrenatural.
E não percebi as tragédias, as guerras que explodiam sob meus pés.
 Não vi a fome avassaladora ceifando almas esperançosas.
Quis reviver o que já havia sido vivido. Patentear o elixir da eternidade.
 Evidenciar quimeras inexistentes nas lendas mal contadas por farsantes.
E, com o espírito aceso e a algibeira cheia de alucinações,
parti no encalço do Elo Perdido, do Santo Graal, da Atlântida
submersa, do velocino de ouro, da milagrosa flor azul, da lâmpada
 de Aladim e temi me deparar com medusas, gnomos, lobisomens,
magos, sacis-pererês... que passariam a me perseguir pelas
florestas encantadas, com suas árvores carnívoras que andam
 e falam. Sou um pobre peregrino, reprimido, cercado por seres
 invisíveis aos olhos dos mortais; corro o risco de sucumbir no
 meu próprio desespero. Só quando meu sonho se tornou pesadelo,
 foi que despertei para a realidade do século conturbado, ao qual
o meu corpo pertence. Descobri, tarde demais, que não sei nada do
que se passou ao meu redor, pois me afundei num labirinto utópico.
Mas tive tempo de compreender que o Universo gira em sintonia com
a natureza. Que a violência é o troco do descaso. E percebi que sou
apenas um cisco, levado pelas águas, encaminhando-se para a sarjeta,
prestes a mergulhar no ralo da morte. Inútil, cadavérico, flébil,
 frágil, sem nada... nem os amigos me cercam mais.
Pois aquele que remói o passado, caminha em direção
 oposta ao futuro – finalizou.
Olhou para mim como se fosse uma deixa.
Agora era a minha vez de externar as ideias.
Eu fiquei sem saber o que dizer, pois meu pensamento,
enquanto ele se lamuriava, estacionara na imagem que eu
 guardava dele: um rapazinho corado, correndo atrás de
 uma bola com o ímpeto de um guerreiro que defende
seu castelo dos invasores. Hoje vejo um rosto plissado
e dois olhos apagados. Pensei:
- “Será que ele não fez nada de bom nesses anos todos?...
 Não casou?... Não se formou?... Não recordou, ao lado
de um ente querido, alguns dos momentos felizes
que viveu?... Será que passou a vida desenterrando almas
condenadas?... Revirando sepulturas empoeiradas?”
Sem muito pensar, pois era a minha vez de subir ao
 palco, resumi o que ele havia dito:
- Pois é, meu velho amigo, de fato, deixamos de
 ter futuro... quando começamos a viver do passado.
Às vezes, a cobiça nos leva por caminhos que não
 queremos percorrer... buscamos descobrir a razão
 da felicidade alheia e esquecemos da nossa...
Mas nunca é tarde para quem está vivo.
Ele segurou minha mão e sorriu.
Levantou-se e se afastou.
Não tive coragem de chamá-lo de volta e ressuscitar
 um pedaço de nossa infância. Julguei que ele tinha
muito a fazer: retornar à encruzilhada perdida
 e delinear seu verdadeiro sonho, pois pior do que
desvendar uma mentira, é conviver com ela.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

MUITA ESMOLA

BLOG O PLEBEU
Está havendo uma “chuva” de milagres que está despertando até a desconfiança de Deus.

sábado, 6 de setembro de 2014

SUJEITO SEM JEITO

BLOG O PLEBEU

Se o voto fosse facultativo, com certeza, haveria forte campanha para torná-lo obrigatório.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

SANTA RECEITA...

BLOG O PLEBEU
Chazinho é excelente para quem está ótimo.
Chá dançante... melhor ainda.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

TROVA : O QUE É O QUE É...?

BLOG O PLEBEU
Você não pode plantar, mas pode consumir.
Você não pode vender, mas pode adquirir.
Nossas leis, na verdade, é uma vergonha.
A resposta da pergunta cretina é: ______.

domingo, 31 de agosto de 2014

POVO EM AÇÃO

Blog O Plebeu
Alguns ainda entendem como sendo "democracia", o direito de retirar a liberdade de escolha dos outros...!

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

TARDE DEMAIS...

BLOG O PLEBEU
Só quero ver como a humanidade vai proceder quando "quase" todos forem bandidos.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

MÃO ÚNICA

BLOG O PLEBEU
Algumas pessoas gostam muito da sombra, mas na hora da seca não querem regar a árvore.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

EGO CEGO

BLOG O PLEBEU
É pura verdade, não gosto de ser mal-educado;
Tampouco me intrometer, à toa, na vida alheia;
Mas tem muito sapo metido a príncipe encantado
E baleia feiosa, desfilando tal qual linda sereia.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

domingo, 17 de agosto de 2014

CASAL PERFEITO...

BLOG O PLEBEU
- Minha Loura, comprei uma tumba valiosíssima, datada de 1200 anos antes de Cristo, por uma bagatela.
- E como que você sabe que ela é verdadeira, Quinzinho...?
- Ô minha Loura, você acha que eu sou bobo...? Que compro uma raridade sem verificar...? No canto direito ainda dá pra ler nitidamente: 1200 a.C.
- Nossa...! Então você fez um ótimo negócio, Quinzinho...!!!

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

ARGUMENTO

BLOG O PLEBEU
Entre a palavra e a ação existem muitas barreiras; três são bem conhecidas: atitude, preguiça e resignação.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

FIM DOS TEMPOS

BLOG O PLEBEU
O Mar Morto já está morrendo...
A Sempre-viva começa a agonizar...
A Natureza toda se vê sofrendo...
Só o Homem não consegue enxergar.

domingo, 10 de agosto de 2014

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

terça-feira, 5 de agosto de 2014

INOVAR

BLOG O PLEBEU
Entre as pretensões do TER e as virtudes do SER, surgiu um novo verbo vaidoso: APARECER.



sábado, 2 de agosto de 2014

TRO.. VA.. LOR

BLOG O PLEBEU
Um, come paleta e arrota picanha,
Outro prefere a costela pelo sabor;
A sinceridade não inventa façanha,
Pois nem sempre o ouro tem valor.